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Canetas emagrecedoras: quais os riscos?

As canetas emagrecedoras tratam diabetes e obesidade, mas não são para perder peso por estética. Veja os riscos, as regras da Anvisa e como se proteger de produtos falsos.

Por Equipe Fleming 4 min de leitura

Elas tomaram conta das redes sociais e viraram assunto em toda roda de conversa. Mas as chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos injetáveis de uso sério, com indicações definidas, e não um atalho para perder peso. Usadas sem acompanhamento, podem trazer problemas de saúde importantes.

Neste artigo, a Fleming explica o que são esses medicamentos, quais são os riscos, o que mudou nas regras da Anvisa e como se proteger de produtos irregulares.

O que são as canetas emagrecedoras?

São medicamentos injetáveis conhecidos como análogos ou agonistas de GLP-1. Eles imitam a ação de hormônios produzidos pelo intestino, que ajudam a controlar o açúcar no sangue, deixam a digestão mais lenta e aumentam a sensação de saciedade.

As substâncias acompanhadas pela Anvisa nesse grupo são:

  • Semaglutida
  • Liraglutida
  • Dulaglutida
  • Tirzepatida

Quando bem indicados, esses medicamentos são aliados no tratamento. Isso não significa que sejam isentos de riscos: cada pessoa precisa de avaliação e acompanhamento de um profissional de saúde.

Para quem esses medicamentos são indicados?

As indicações variam de um medicamento para outro e estão na bula de cada um. De forma geral, eles são usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade ou do sobrepeso associado a outros problemas de saúde.

Não existe indicação para emagrecer por estética em quem está com o peso adequado. O uso fora do que está previsto em bula, sem critério médico, expõe a pessoa a riscos sem um benefício comprovado.

Quais são os riscos?

Os efeitos mais comuns atingem o sistema digestivo:

  • Náuseas e vômitos
  • Diarreia ou prisão de ventre
  • Dor e desconforto abdominal

Também existem riscos menos frequentes, porém mais sérios:

  • Pancreatite, a inflamação do pâncreas
  • Problemas na vesícula, como cálculos
  • Desidratação, principalmente quando há vômitos e diarreia
  • Perda de massa muscular, se o emagrecimento não tiver acompanhamento e boa alimentação
  • Volta do peso depois de parar o tratamento, se não houver mudança de hábitos

Procure atendimento médico se tiver dor forte e persistente na barriga, que pode ir para as costas, com ou sem vômitos. Esses podem ser sinais de pancreatite.

O que dizem os dados da Anvisa

A Anvisa acompanha as notificações de suspeitas de reações a esses medicamentos. De dezembro de 2018 a dezembro de 2025, foram 2.436 notificações, entre elas 65 mortes suspeitas. Em fevereiro de 2026, a agência também alertou para o risco de pancreatite, com 225 notificações e seis mortes suspeitas.

É importante entender esses números: uma notificação é uma suspeita e não prova, sozinha, que o medicamento causou o problema. A Anvisa também informou que, dentro das indicações aprovadas, não há evidências que mudem as recomendações de uso. O alerta é para o uso sem indicação e sem acompanhamento.

O perigo das canetas falsas e sem registro

A procura alta abriu espaço para um mercado ilegal. A Anvisa já proibiu a fabricação, a venda, a propaganda e o uso de produtos sem registro no Brasil, como T.G. 5, T.G. Indufar, Lipoless, Lipoless Eticos e Tirzazep Royal Pharmaceuticals, além de produtos com retatrutida.

Um produto sem registro não passou pelos testes que comprovam qualidade, segurança e eficácia. Ninguém consegue garantir o que existe dentro da caneta, a dose certa nem como ela foi transportada e guardada.

O que mudou nas regras da Anvisa

Desde 23 de junho de 2025, com a RDC nº 973/2025, as canetas à base de semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida têm venda mais controlada:

  • A receita é feita em duas vias, e uma fica retida na farmácia
  • A receita vale por até 90 dias a partir da data de emissão
  • A venda é registrada no sistema de controle da Anvisa

Se alguém oferecer uma caneta sem pedir receita, desconfie: isso é irregular.

Como se proteger

  1. Consulte um médico. Só ele pode avaliar se o tratamento é indicado para você.
  2. Tenha a receita em mãos. A compra exige receita em duas vias.
  3. Compre em farmácia regularizada. Evite redes sociais, aplicativos de mensagem e sites desconhecidos.
  4. Desconfie de milagres. Promessa de emagrecimento rápido e preço muito abaixo do normal são sinais de alerta.
  5. Confira a embalagem. Medicamento regular tem número de registro e deve estar lacrado e bem conservado.
  6. Faça o acompanhamento. O tratamento precisa de monitoramento dos efeitos e ajuste de dose.

O farmacêutico pode ajudar

O farmacêutico confere a receita, explica como usar e guardar o medicamento, orienta sobre os efeitos e tira dúvidas sobre o uso junto com outros remédios. Nas farmácias Fleming, nossa equipe está pronta para orientar você com segurança.

Tem receita médica?

Com a receita em duas vias, procure uma farmácia Fleming ou fale com o farmacêutico. Ele confere a receita e informa a disponibilidade do medicamento indicado para você. Encontre a Fleming mais perto de você.

Emagrecer com saúde vai além de um medicamento: inclui alimentação, atividade física e acompanhamento profissional. Na dúvida, procure seu médico ou fale com o farmacêutico.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um profissional de saúde. Não use medicamentos sem orientação.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com o médico.